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A guru do design

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Escrito por Guilherme Qui, 18 de Março de 2010

Criadora do Salão Satélite de Milão, a maior vitrine de novos designers do planeta, MARVA GRIFFIN WILSHIRE visitou o Brasil e deu uma entrevista para a revista CASA VOGUE.

Confira abaixo um trecho da entrevista publicada na edição de fevereiro de 2010.

O revolucionário Salonesatellite, Caldeirão de jovens talentos que alimenta a indústria do design mundial, é criação da venezuelana Marva Griffin Wilshire, curadora do evento ligado ao Salão Internacional do Móvel de Milão. Com imponência de Michelle Obama, pulseiras de Gaetano Pesce e carisma tropical, dá para entender porque "Marvelous" Marva é a madrinha do objeto criativo, bem desenhado, que o mercado anseia. Á vontade falando em espanhol, italiano, inglês e francês, ela vive, desde 1971, em Milão, e está no comitê de Arquitetura e Design do MoMA de Nova York, há dez anos. Seu nome figura entre os pesos pesados que orquestram o design internacional. Além da 13ª edição do SaloneSatellite, que vai rolar de 14 a 19 de abril, este ano, ela está coordenando a mostra Avverati - a dream come true, a ser exibida de maio a outubro no Pavilhão da Itália, na Expo 2010 de Xangai, seguindo depois para Nova York

marva2entreCASA VOGUE: Você é a fada madrinha do design contemporâneo. O que um jovem precisa para cair nas graças da poderosa Marva?

MARVA GRIFFIN WILSHIRE: Não tenho preferidos, para mim todos no Satellite são talentosos. Já falei para um conhecido designer: "Lembre-se, no começo, você não tinha essa bola toda. Respeite os mais jovens". Um arquiteto importante, que estava conosco ouviu e disse: "Não mexa com os bambini da Marva" (risos).

Como uma venezuelana conseguiu, logo na Itália, se tornar guru do design internacional?
Nós, sul-americanos, mistificamos o velho continente. Fui estudar na Europa, em Milão, e tive a sorte de trabalhar na C&B Italia (agora, B&B Italia) com Piero Ambrogio Busnelli.

Como surgiu a ideia de criar o SaloneSatellite?
Os jovens que sabiam que eu era ligada ao Salão Internacional do Móvel e Milão sempre me perguntavam como poderiam fazer contato com a mídia e com os fabricantes. Eu contava para a diretoria, a resposta era a mesma: não há espaço. Um dia, o CEO do Cosmit, Manlio Armellini, me ofereceu uma área: "Vedi cosa può fare" (veja o que pode fazer). Fiz o projeto em pouquíssimo tempo, disse aos jovens "espalhem a notícia". Foi assim.marvaentre

Qual foi o feedback da primeira edição?
Foi um enorme sucesso, tive muito apoio da mídia. Nunca uma feira havia exposto jovens criadores. Hoje, todos copiam a ideia. Começamos com 51 estandes e 110 jovens, hojem são 700 novos talentos de 36 países.

Quais são os fatores que determinam o talento desses jovens?
Talento não tem passaporte, é uma questão de indivíduo e da escola. A escola é muito importante.

O governo brasileiro já patrocinou alguém?
Da América Latina, o único foi o governo venezuelano, que apoiou um grupo muito criativo. Do Brasil, tivemos o designer Wagner Archella que foi selecionado em 2006, e participou sem apoio consular. Ele apresentou a cadeira Pazetto, que acabou na capa da revista nova-iorquina Interior Design. Foi nosso primeiro designer a emplacar a capa dessa importante publicação. Agora, a Pazetto faz parte do nosso acervo, está na mostra itinerante Avverati - a dream come true, que será exibida na Expo de Xangai, este ano. Quero desenvolver um projeto com a América Latina, aqui há grandes talentos a serem descobertos.

Fonte: Revista Casa Vogue - edição Fevereiro 2010 - n°294

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