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Entrevista com Marinaldo Teixeira
Escrito por Guilherme
Sex, 03 de Dezembro de 2010
Por Heloisa Toledo Marinaldo Teixeira Curti, natural de Araçatuba e morador de Carapicuíba, São Paulo, é fundador, juntamente com sua esposa, da Free Flyight Bumerangue. Iniciou seu trabalho artesanal aos 13 anos, fazendo pequenos bumerangues de papelão e cartolina no início dos anos 70 em São Bernardo do Campo. Esses bumerangues eram distribuídos gratuitamente aos amigos e interessados. Confira os Bumerangues na seção Designers Em 1995, com a criação da Free Flyight Bumerangue, passou a fazer peças profissionalmente e já com grande diversidade de modelos. Hoje, a Free Flyight conta com 270 modelos de bumerangues, todos feitos de maneira semi-artesanal.
Marianldo Teixeira: Começo a observar uma forma qualquer, que tenha uma silueta Depois faço um esboço desta silueta em PVC, para avaliar a possibilidade de transformar-se em algo que voe. Partia então para outras formas, até obter alguma exclusividade em um desenho qualquer. Assim nasceram alguns bumerangues como Beta III, Stafly, Tringo, Tuareg e outros muito populares já no Brasil e produzidos no PVC. PDP: No início do seu trabalho, você utilizava papelão e cartolina na confecção dos bumerangues. Quando e como você incorporou o PVC as suas criações? MT: Isso é verdade, durante minha infância, como qualquer criança, os materiais eram muito restritos e devido à facilidade dos materiais, papelão e cartolina eram mais fáceis de serem encontrados e custos ínfimos, assim como as colas para confecção das pipas era comum em minhas coisas. Esta situação perdurou até meados dos anos 90, pois inúmeras ocupações ao longo da vida não permitiam levar o bumerangue como algo profissional, era mais como Hobby mesmo sem fins lucrativos. Mas fazia pesquisas com modelos, iniciei fazendo algumas peças em madeira no começo dos anos 70 quando passei a trabalhar em fabrica de moveis, e mesmo durante este período, nunca era mais que duas a cinco peças anos, mas no papelão era já muitas unidades sempre distribuídas a quem se interessava. No final dos anos 80 já ensaiava peças em plásticos, que coletava durante as pesquisas alguns foram interessantes, mas nada como as de PVC. E comecei a cortar as primeiras peças neste material, que era duro, extremamente difícil de ser cortado com tesouras, exigia equipamento mais caro como uma maquina de corte manual por exemplo. Mas os resultados começaram aparecer, pois eu fazia modelos já com mais ‘'qualidade ‘'e um acabamento mais fino, e isso começou a gerar algum faturamento, inexpressivo, mas já era possível comprar ferramentas especificas para trabalhar este novo material, até então indomável pelas minhas poucas ferramentas disponíveis. À medida que ia investindo em novas ferramentas a empresa começa a tomar corpo e os modelos começaram a serem produzidos em quantias cada vez maior e mais acabados, comecei a vender a um preço que julgava mais justo pelo serviço e peças até então produzidas, assim nasceu em 1994 a Free Flyght Bumerangues Artesanais. . PDP: Qual o seu parecer sobre o uso do material PVC em processos de criação? MT: Como já tinha certa experiência na modelagem de bumerangues em cartão, a entrada do PVC no lugar, deu-me a oportunidade de experimentar fazer outros modelos que até então os cartões mesmo colados não suportavam a modelagem, e o PVC resistia bravamente a estas operações, corte e torções sem perderem a dureza alem de permitir cortes mais finos e ângulos mais fechados. Como o modelo Buzzy, fica bem clara a versatilidade do material, e sua resistência, pois a peça ficou perfeita, com dureza ideal neste tipo de instrumento. Os demais modelos se adequaram perfeitamente ao PVC e passou a ser consumidos pelos nossos clientes esportistas com maior regularidade. PDP: Hoje em dia falamos muito em sustentabilidade. Você considera o seu produto sustentável? MT: Sim considero e por uma razão, a partir do momento que um material, começa a ser utilizado em uma grande parcela de aplicações , sem danos ao meio ambiente e sua biodiversidade ele passa ter uma maior usabilidade, O PVC veio suprir esta situação, pois poderemos enterrá-los em tubulações, usá-los diretamente em contato com o meio ambiente em janelas, portas , cadeiras ,brinquedos e tintas a base de PVC , ao término de sua vida útil , ele ainda é reciclável gerando novos produtos. Entendo desta forma como uma cadeia de sustentabilidade, pois se reutilizamos suas propriedades, com certeza pouparemos outros materiais que com o tempo fará falta para a nossa sobrevivência de uma maneira geral além de gerar nova fonte de renda. Por quê? O uso do PVC em meus produtos veio a atender uma situação onde, ele gera-me renda para novas pesquisas, para minha sobrevivência pessoal, de minha família, utilização como material para brindes em instituições particulares, como material educacional sobre leis de físicas (modelos de experimentos), em outras empresas a criação de novos produtos de maior abrangência em residências, e até como obras de artes diversas. E quando descartados e recuperados por empresas especializadas em reciclagem, não poluem o meio ambiente, alem de serem transformados em novos produtos e renda para outros grupos envolvidos em suas novas transformações. É isso...
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