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Design Fórum: como iremos viver no futuro?
Qui, 19 de Agosto de 2010
Aconteceu na semana passada aqui em São Paulo a 2ª edição do Design Fórum Megatendências, que durante um dia inteiro discutiu o modo de viver e morar das novas gerações em um mundo sustentável. Guto Requena, arquiteto, professor e pesquisador, deu início ao ciclo de palestras, falando sobre como tudo isso ainda se encaixa dentro deste contexto tecnológico e conectado em que nos encontramos.
A apresentação de Requena teve como base a tese "Habitar Híbrido: Experiência e Interatividade na Era da Cybercultura", que ele desenvolveu no período em que estava no Nomads (Núcleo de Estudos de Habitares Interativos) da USP. Para ele, o futuro como a maioria das pessoas imaginava, com nossas casas repletas de robôs fazendo de tudo, nunca chegou e, provavelmente, nunca vai chegar - pelo menos não da forma como pensávamos que seria. De acordo com o arquiteto, a maioria das mudanças que irão acontecer no nosso jeito de morar daqui pra frente tem a ver com o comportamento das gerações de hoje, que tem muita intimidade com a tecnologia. Mas não é só isso. Hoje somos afetados por outra série de fatores, como o culto ao corpo, a customização e a vontade de expor nossa personalidade; a necessidade de adotarmos hábitos mais sustentáveis (inclusive, esta tendência irá refletir no nosso consumo, pois passaremos a pensar em reutilizar móveis e materiais dentro de casa); a informatização do cotidiano (agora, tudo o que precisamos fazer envolve computadores); o aumento do número de pessoas que trabalha em casa; o superequipamento do espaço doméstico (já que as mulheres estão trabalhando fora, alguém precisa fazer o que, antes, elas faziam, certo?); e, principalmente, a interatividade. Se antes nós apenas recebíamos as informações, hoje temos o poder de transformá-la, editá-la, produzi-la. Outra coisa que está trazendo mudanças ao nosso jeito de morar, segundo Guto Requena, são os novos grupos familiares. Se em 1940 cerca de 80% das famílias eram compostas por pai, mãe e filhos, em 2004 este número passou para 50%. A distribuição do espaço interno ainda continua seguindo o modelo tradicional que divide a casa em área social (salas de estar, jantar, televisão) área íntima (quartos, banheiros) e área de serviços (cozinha, lavanderia). No entanto isto também está mudando. É cada vez mais freqüente vermos a cozinha como espaço de convívio, o banheiro sendo usado não apenas para fazer a higiene pessoal, e os limites entre espaço público e privado cada vez mais confusos. E como o design é um espelho ("é preciso olhar para ele para entender o momento em que vivemos", diz Requena), o que estamos refletindo agora é: um mundo cada vez mais tecnológico e, por isso, com cada vez mais olhares voltado ao que é feito à mão; a consciência de que devemos reusar móveis, dando a eles uma nova estética, a necessidade de colocar o que antigo no nosso contexto atual, e de sermos flexíveis. Numa conversa exclusiva com o Living Design, perguntamos para Guto Requena como vai ser nossa casa no futuro. Ele respondeu que nossa casa do futuro vai ser uma mistura bem heterogênea: o novo com o antigo, o tecnológico com o manual, a confusão de limites, tudo isso num espaço cada vez menor, e mais verticalizado, impactando na maneira como consumimos. Fonte: Living Design - Mônica Barbosa |
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