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Uso de materiais reciclados e de substâncias menos poluentes ganha espaço nas novas construções
Seg, 19 de Julho de 2010
O fato de que o planeta não aguenta mais o atual ritmo de consumo e as exigências cada vez mais altas e urgentes do modo de vida da humanidade é uma preocupação crescente. Pensando nisso, a solução que os estudiosos têm defendido é o uso inteligente e comedido dos recursos naturais - a chamada prática da sustentabilidade. Algumas dessas soluções poderão ser vistas na mostra "Morar mais por menos", que ocorre de 22 de julho a 29 de agosto, em Brasília, dispostas nos 40 ambientes criados por arquitetos e designers de interiores. Elas preveem, por exemplo, atitudes como reutilização de resíduos de obras, a substituição da madeira e o uso de adesivos sem solventes.
Antes escondido nas paredes, o PVC - material de plástico durável e atóxico - ocupa cada vez mais os espaços nobres dos ambientes em diversas formas. Além de barato, o material pode ser misturado à borracha e ganhar a cara da madeira, por exemplo. "Por sua característica de durabilidade, o PVC é reaproveitado de outras obras. Fica muito bonito para revestir vigas de concreto", pontua a arquiteta Ângela Borsoi, que utilizou o material para imitar a madeira - e sua textura - em um ambiente da mostra. Embora o lixo produzido pelo consumo diário seja um problema nos aterros, os resíduos das obras são considerados tão prejudiciais quanto os do consumo. Toneladas de azulejos, pisos e revestimentos se transformam em entulhos com destino aos lixões. Segundo os arquitetos, o reaproveitamento desse material está em destaque também na composição de ambientes. "Hoje, não é preciso mais quebrar o piso para trocá-lo. Há no mercado um tipo de piso chamado de Retrofit, de 4mm, que é aplicado em cima do piso anterior", diz Egito Souza, arquiteto e empresário da construção civil. O mesmo vale para a aplicação nos azulejos. "O uso desse material não gera entulho", garante o arquiteto. Esse tipo de material foi utilizado no chão do lavabo criado para a mostra. Mas, para que isso saia do papel e torne-se uma realidade, é preciso que a consciência seja despertada para a necessidade de tornar os empreendimentos sustentáveis uma prática corriqueira. "Pensar que as coisas mudarão da noite para o dia é uma ilusão infantil. É importante que a criação de uma consciência sustentável que seja estimulada por uma pressão popular poderosa, que só será possível por meio da divulgação do conhecimento das reais necessidades ambientais e do perigo que corremos ao desprezá-las", define a arquiteta Karla Madrilis, especialista em bioconstrução. Fonte: Correio Braziliense |
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